quinta-feira, 21 de maio de 2009

A funçao da TIC no processo de ensino aprendizagem na perspectiva cognitivista

No domínio da aprendizagem assistimos a uma evolução desde as correntes comportamentalistas às cognitivas. Beltrán (1993) e Mayer (1992) expressam tal movimento através das seguintes metáforas de aprendizagem:

  • - Aprendizagem como aquisição de respostas. Ilustra a corrente comportamentalista a qual encara a aprendizagem numa lógica associacionista, mecânica e repetitiva. O aluno é visto como um sujeito passivo e o professor um conhecedor e dispensador de estímulos e reforços. A aprendizagem é observável e controlável através de um programa de estímulos e respostas. Ao prescindir do contributo de variáveis internas (cognitivas e motivacionais, nomeadamente), o ensino limita-se a cuidar da apresentação da informação e a organizar as contingências de reforço que facilitem a sua aquisição, assim como dos comportamentos desejados (Rosário & Almeida, 2005).
  • - Aprendizagem como aquisição de conhecimentos. Refere-se à etapado neocomportamentalismo e do processamento de informação. Abarca a centração no estudo dos processos mentais e dos mecanismos internos subjacentes à conduta humana e a passagem ao estudo da aprendizagem especificamente humana. Engloba também a metáfora “mente-ordenador”, a inteligência artificial e o desenvolvimento dos armazéns de memória. A aprendizagem e o comportamento são lidos como uma interacção com o meio e resultado de conexões entre estruturas mentais (esquemas). Neste sentido, aprender consiste na aquisição de novos esquemas visando a redução incerteza. O sujeito é percebido numa dimensão cognitivista controlo absoluto sobre o seu processo de aprendizagem, à imagem de um computador. De acordo com esta perspectiva, o ensino deve orientar-se para a aquisição de conhecimentos por parte dos alunos, sendo esta a medida da aprendizagem realizada (Barros & Barros, 1996; Barca et al., 1997; Mayer,1992).
  • - Aprendizagem como construção de significados. Esta última etapa da metáfora diz respeito a concepções como significado, construtivismo e modificabilidade cognitiva. O sujeito é considerado como mais activo e autónomo, tornando-se gradualmente gestor dos seus próprios processoscognitivos. O aluno não se limita a adquirir conhecimentos, mas constrói osconhecimentos com a ajuda e apoio de professores e materiais usando aexperiência para compreender o novo. O professor fornece as pistas e chavespara essa construção dos conhecimentos. Promover competências deaprendizagem e estimular a autonomia, o envolvimento responsável na tarefa éa ideia-base desta última fase do processo.

As Tecnologias de Informação e Comunicação actualmente aplicadas no ensino são
diferentes dos computadores de inspiração behaviorista que prevaleceram durante muito
tempo, ainda que alguns os utilizem na sala de aula de forma (in)consciente, segundo esta
perspectiva. Para muitos investigadores os novos ambientes multimédia possibilitam a
descoberta pessoal e a experiência concreta, constituindo ferramentas cognitivas com as
quais as crianças podem agir e pensar. As suas potencialidades radicam no impacto que
podem ter na comunicação dentro da sala de aula ao possibilitarem a vários alunos
colaborem e interagirem a distância numa mesma tarefa; podendo constituir também uma
força potencial de mudança na forma de ensinar e podem ainda afectar a forma de
compreender, de ler e construir conhecimento (Legros & Crinon, 2002).

A clássica definição de aprendizagem, por parte da psicologia, como uma
modificação do comportamento é o resultado da valorização que alguns investigadores
deram ao aspecto externo da modificação do comportamento, enquanto outros destacam a
construção pessoal. Se para uns o essencial é o resultado do processo, para outros é o
processo de aprendizagem que conta.

Ensino tradicional vs ensino novo

Ensino Tradicional

Ö definir, com maior exactidão possível, os objectivos finais da aprendizagem.

Ö Analisar a estrutura das tarefas de modo a determinar os objectivos de percurso.

Ö Estruturar o ensino em unidades muito pequenas de forma a permitir um melhor condicionamento do aluno e conduzi-lo através de experiências positivas de aprendizagem.

Ö Apresentar estímulos capazes de suscitar reacções adequadas.

Ö Evitar as ocasiões de erro e, no caso de ele vir a ocorrer, ignorá-lo o mais possível ou puni-lo , de modo a evitar a instalação de hábitos errados.

Ö Proporcionar aos alunos conhecimento dos resultados obtidos e feedback adequado.

Ö Recompensar, retirar recompensas ou punir os alunos de acordo com a natureza dos seus comportamentos e em relação à aprendizagem desejada.

Ö Técnicas ensino: de: exercícios de repetição, ensino individualizado de tipo programado, demonstrações de actividades a imitarem sem serem acompanhadas de grandes explicações.

Ensino Novo

Ö Não se preocupa tanto com o ensino, mas antes com a aprendizagem, numa perspectiva de desenvolvimento da pessoa humana.

Ö Centra-se a aprendizagem no aluno, nas suas necessidades, na sua necessidades, na sua vontade, nos seus sentimentos.

Ö Desenvolve-se no educando a responsabilidade pela auto-aprendizagem e incuta-se-lhe um espírito de auto-avaliação.

Ö Centra-se a aprendizagem em actividades e experiências significativas para o aluno.

Ö Desenvolve-se as relações interpessoais, empáticas, no interior do grupo.

Ö Ensina a sentir e não apenas a pensar.

Ö Ensina a aprender

Ö Cria uma atmosfera emocional positiva que ajude o educando a integrar nos expeirências e novas ideias

Ö Promove uma aprendizagem activa, orientada para um processo de descoberta , autónoma e refelctida.

Ö Técnicas de ensino: Ensino individualizado e técnicas de trabalho de grupo: discussões, debates, painéis, simulações, jogos de papeis ( role-playing) e resolução de problemas.

O Ensino Programado

O Ensino Programado


Segundo Skinner, que criou o " ENSINO PROGRAMADO", as pessoas aprendem mais facilmente quando o conteúdo é apresentado em "unidades discretas", isto é, pequenos módulos e quando recebem um feedback imediato, indicando se o aluno teve ou não sucesso. Skinner institui a categoria de "estímulos", que são mecanismos que agem de maneira a provocar uma reação no indivíduo, neste caso a melhoria da aprendizagem.Skinner institui o conceito de diferentes tipos de estímulos que actuam no condicionamento operante:estímulo neutro - é o que não tem nenhum efeito sobre o comportamento do indivíduo, isto é, a ele não foi associado nenhum reflexo.
estímulo reforçador positivo - é o estímulo que o organismo procura obter e que aumenta a probabilidade que o produz, busca manter um comportamento aprovado.
Num ambiente de ensino e aprendizagem pode-se usar o Behaviorismo como incentivo à maior motivação.

vantagens:

  • Cada aluno progride no seu próprio ritmo: quem aprende mais rápido, avança mais. Quem aprende mais devagar, avança na velocidade que lhe é conveniente;
  • O aluno avança somente com o conteúdo aprendido;
  • O aluno não é deixado para trás ou perdido;
  • O ensino é sequencial: o estudante passa para o material mais adiantado somente quando já domina o anterior;
  • O aluno quase sempre acerta por causa da progressão gradual e uso de técnicas de insinuação e instigação ( estímulos);
  • O aluno se mantém activo e recebe imediata confirmação de seu êxito;
    os ítens são construídos de tal maneira que o aluno precisa compreender o ponto essencial do conteúdo a fim de dar a resposta certa;
  • Os "conceitos" são representados por muitos exemplos e arranjos sintácticos, visando aumentar a generalização a outras possíveis situações;
    o registro das respostas dos estudantes fornece ao programador valiosas informações para futuros aperfeiçoamentos do programa.


Desvantagens:

  • É socialmente isolador: os alunos fecham-se no seu próprio mundo privado enquanto aprendem;
  • Faltam benefícios da experiência em grupo;
  • O aluno não tem opção de discordar;
    como o ensino é baseado numa hierarquia de conceitos fica difícil a aplicação deste método em áreas onde os conceitos não são tão claramente definidos, pois este método fundamenta-se em ter sempre uma resposta certa.


Em conclusão, o ensino programando apareceu com Skinner nos anos 50. Este psicólogo era behaviorista, acreditando assim que "só é possível teorizar e agir sobre o que é cientificamente observável", isto é, o comportamento operatório. Baseando-se na referida teoria do comportamento operatório, desenvolveu as chamadas máquinas de ensino (por exemplo, a Autotutor Mark II e a Mitsi, construídas em 1965), através das quais o sujeito poderia aprender sozinho, e que consistiam na organização de material didáctico, com um conjunto de exercícios que, ao serem realizados, seriam seguidos de estímulos reforçadores da aprendizagem.

No entanto, estes métodos tinham o problema de serem apresentados impressos, o que dificultava a disseminação dos materiais. Nos anos 60, para fazer face a este problema, começou a utilizar-se o computador que facilitava o processo, permitindo uma maior flexibilidade de apresentação da informação. Nasce, assim, a instrução auxiliada por computador.

O paradigma Cognitivista e as TIC

A psicologia cognitivista trás uma visão alternativa e renovada do ser humano e da forma como esta se processa no ensino-aprendizagem. Denominava-se psicologia cognitivista de instrução.
A insuficiência dos modelos comportamentalistas da aprendizagem em que o organismo só aprendia à base de associações (E-R-C). à que perceber que quando o aluno está exposto a um estímulo o interpreta.

Pressupostos Fundamentais da Teoria Cognitivista:

- o organismo humano responde fundamentalmente às representações cognitivas sobre o meio e nao directamente ao meio .

- a psicologia cognitivista abre a caixa negra que é a mente (E-R) ->VI(O) , descodifica, pocessa, interpreta e julga. O Sujeito já é capaz de interpretar os estímulos.

- para o mesmo estímulo podem haver várias respostas.

- o foco de análise (estudo) é a forma como o sujeito elabora e interpreta os estímulos:
  • Representaçao mental,
  • funcionamento intelectual,
  • mapa mental
  • cognição
- o que importa verdadeiramente são: os pensamentos, sentimentos e comportamentos são causalmente interactivos.
Funcão causal : P<-->S<-->k , as cogniçoes desempenham um papel fundamental em relação ao comportamento.

- o sujeito é activo , seleciona, organiza e trata a informação.
- sujeito é dotado de de mente activa movido por causas , razões e orientado para metas. possui estruturas cognitivas que lhes permitem selecionar, interpretar e organizar a informaçao.

1.a aprendizagem é um processo interno que ocorre no sujeito que aprende, sendo mediado cognitivamente (Win e Snyder, 1996);
2.o aluno é um processador activo da informação ou seja é um "informívero" (Pozo, 1994);
3.aprender significa integrar novos conhecimentos nos existentes (Vignaux, 1991);
4. as características ndividuais(crenças, valores, julgamentos e cognições) afectam o modo como se experienciam os estímulos instrutivos (Castâno, 1994)

Teorias de Aprendizagem

Mudança de Paradigma


Os comportamentalistas apresentam várias razões pelas quais seria razoável adotar uma postura behaviorista. Uma das razões mais comuns é epistêmica[5]: afirmações sobre estados internos dos organismos feitas por observadores são baseadas no comportamento do organismo. Por exemplo, a afirmação de que um rato sabe o caminho para o alimento em uma caixa de Skinner é baseada na observação do fato de que o animal chegou até o alimento, o que é um comportamento. Para um behaviorista, os chamados fenômenos mentais poderiam muito bem ser apenas padrões de comportamento.

Comportamentalistas também fazem notar o caráter anti-inatista típico do Behaviorismo. Muito embora o inatismo não seja inerente ao mentalismo, é bastante comum que tais teorias assumam que existam procedimentos mentais inatos. Behavioristas, por crerem que todo comportamento é conseqüência de condicionamento, geralmente rejeitam a idéia de habilidades inatas aos organismos. Todo comportamento seria aprendido através de condicionamento[5].

Outro argumento muito popular a favor do Behaviorismo é a idéia de que estados internos não provêm explicações para comportamentos externos por eles mesmos serem comportamentos. Explicar o comportamento animal exigiria uma apresentação do problema em termos diferentes do conceito sendo apresentado (isto é, comportamento). Para um comportamentalista (especialmente um comportamentalista radical), estados mentais são, em si, comportamentos, de modo que utilizá-los como estímulos resultaria em uma referência circular. Para o behaviorista, estados internos só seriam válidos como comportamentos a serem explicados; uma teoria que seguisse tal princípio, porém, seria comportamentalista.

Para Skinner, em especial, utilizar estados internos como elementos essencialmente diferentes dos comportamentos abriria possibilidades para uso de conceitos anticientíficos na argumentação psicológica, como substâncias imateriais ou homúnculos que controlassem o comportamento[5]. Entretanto, é importante notar que, para Skinner, não havia nada de inadequado em se discutir estados mentais no Behaviorismo: o erro seria discuti-los como se não fossem comportamentos.

Vale notar, entretanto, que o argumento do estado interno como comportamento é polêmico, mesmo entre vários comportamentalistas[5]. O Neo-behaviorismo Mediacional, por exemplo, trata os estados internos como elementos mediadores inerentemente diferente dos comportamentos[3].
Diversos cientistas e pensadores alinharam-se com ou influenciaram significativamente o Behaviorismo. Desses, podemos destacar:

* Ivan Pavlov.
* Edward C. Tolman.
* Clark L. Hull
* Burrhus Frederic Skinner.
* Conwy Lloyd Morgan.
* J.R. Kantor.
* John Broadus Watson.
* Joseph Wolpe.
* Albert Bandura

Dentre muitos outros. A influência behaviorista também pode ser encontrada em filósofos conceituados, como:

* Ludwig Wittgenstein.
* Gilbert Ryle.